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Sobre C. Carvalho

Criador e autor deste blog de crônicas, causos e outros escritos. Por não me comprometer com prisões, carceragens, amarras e outros juizados do bom gosto, 125 anos depois, aos 14 de maio do ano do Senhor, resolvi lançar 1 Neurônio solto no sistema nervoso. Foi o suficiente! Provocada pelos meus acusadores, as autoridades desta comarca acharam por bem lavrar um auto de flagrante delito contra minha pessoa, sob a alegação de ter infringido, com o lançamento supracitado, as regras da cordialidade e a honra dos homens bons da localidade. Tipificada como crime hediondo pelo código das penas capitais desta província, a alegada violação deverá ser punida nos termos da lei (caso seja provada). Data venia, contudo, declaro-me inocente das acusações contra mim dirigidas. Por isso, aos meretíssimos apreciadores desta ação penal, em que ora figuro indevidamente como réu, rogo que voltem (mesmo que enviesado) um justo olhar sobre a matéria e, finalmente, decidam por si próprio a questão. Cumpra-se.

Embaralhamento cognitivo: o que o fake news não mostra

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O embaralhamento cognitivo é uma estratégia de dominação política no jogo do poder que o fake news esconde.

O embaralhamento cognitivo é um processo de anulação da faculdade de perceber, da capacidade de adquirir conhecimento pelos sentidos, através de táticas de alteração dos elementos autênticos de uma coisa ou fato por uma sequência arbitrária de elementos espúrios que visam garantir a supremacia de um ou mais grupos políticos no jogo do poder.

Embaralhamento, em si, é o ato de mudar a sequência, a ordem, das cartas em uma sequência aleatória, em uma sequência qualquer, para garantir o acaso, azar, sorte, no jogo de cartas.

No jogo do poder, as operações de embaralhamento cognitivo são disparadas para impactar a percepção geral sobre os fenômenos sócio-políticos. O propósito específico de tais disparos é produzir desconhecimento coletivo nos contingentes populacionais alvos. Dessa forma, busca-se facilitar a dominação desses contingentes pelos grupos do establishment do poder.

Ações de desinformar, confundir, misturar, desordenar, distorcer, embaralhar os fatos conhecidos como autênticos com artifícios espúrios criados para parecerem autênticos fatos acontecidos, são táticas de uma estratégia abrangente mais sofisticada do que sugere a expressão em inglês fake news (notícia falsa). As chamadas fake news são apenas umas das ações táticas da estratégia de embaralhamento cognitivo.

Tanto seus produtores como as correias de transmissão dessa estratégia estão, sim, localizados nos submundos da internet. Mas eles também se localizam nos motores de busca da world wide web, nos algoritmos do feed de notícias das redes sociais, nos sites e grandes portais de notícias, nas emissoras de rádio e TV, nos jornais, nas revistas e nos “panfletos” publicitários impressos ou digitalizados.

O resultado é que o embaralhamento cognitivo eleva o custo de se adquirir informações autênticas e, portanto, aumenta o custo de aquisição de conhecimento.

Como o conhecimento é poder e porque essa estratégia atinge em cheio a confiança do sujeito sobre sua capacidade de julgar e de discernimento das coisas que estão no mundo, o poder desse sujeito é diminuído na mesma proporção que o custo de se adquirir conhecimento aumenta.

Para quem tem poucos recursos no jogo do poder,  o embaralhamento cognitivo e seu efeito de elevação dos custos do conhecimento e dos custos do julgamento com base em fatos autênticos, pode ser fatal.

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