Um Neurônio

Fliperama ao pôr do sol
Fliperama ao fim da tarde

Um neurônio na cabeça vale mais do que duas moringas vazias. Principalmente se estiver com sede. Acredite, de nada vai lhe adiantar bilhões em duas caixolas ôcas.

Por isso, ao fazer uma transação muito cuidado para não levar detritos por dendritos. Atenção com os vendedores de chuva no meio do deserto e, se for num shopping, ajuste para o nível mais elevado seu sistema de alerta. Nem todos estamos preparados para distinguir axônio de saxônio.

Agora, se a mente estiver onde está o corpo isto será um bom sinal. Do contrário, oriente-se depressa pela estrela mais próxima. Uma montanha bem alta também serve. Só não deixe de fazer algo o mais rápido possível. Ou então você correrá o sério risco de ir parar num hospital entre a vida e a morte como, infelizmente, aconteceu com um amigo.

Tico e teco

Esta história ouvi do meu vizinho no final de semana depois do ocorrido. Era fim da tarde, o jogo já tinha terminado e o Bar do Ceará começava a se esvaziar.  Só faltava acabar mesmo eram os últimos petiscos da porção. Apesar da sombra, o sol ainda estava lá fora.

Foi aí que, bebericando uma dose de menta, o Tico resolveu me chamar de canto para contar da fatalidade. Com um dos braços apoiado no balcão, me puxou pelo ombro e disse como que o nosso amigo saiu para andar tão distraído naquela madrugada. Contou que, de repente, ele viu uma luz vermelha vindo em sua direção e quando se deu conta novamente já estava caído no asfalto, estatelado.

— Sem reagir! – finalizou.

— Mas quê que aconteceu? Foi derrame, infarto? – perguntei ao Tico.

— Não! Foi um teco.

Deste dia para cá aprendi, meio aleatoriamente, que o sistema nervoso não ataca por   acaso.

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4 comentários em “Um Neurônio

  1. Com sutileza, mas em cima de um sistema que é nervoso. Pros desavisados pode até passar desapercebido a letra. Acho muito bom, da hora mesmo…

  2. Maravilhoso Gel, nao sei se foi o meu olhar ou a corrente eletrica que percorreu o meu notebook, mas amei esse seu primero texto. Alias estou lendo as duas historias como uma unidade, é isso mesmo? Bom pra mim é. Desavisadamente entrei nesse territorio e que susto levei ao perceber essa realidade. Mas a letra nao passou em branco, se fizeram negras na tela – da minha mente. Continue compartilhando suas historias conosco, provocando curto-cicuitos no pensamento, ali onde o irracional parece ser o mais verdadeiro. Valeu amigo.

  3. Fala Gel.

    Parabéns pelo local de reflexões.

    Gosto do estilo que você escreve.

    pois é, o teco descrito pelo Tico parece ter tomado proporções neuróticas.

    – Toda saúde ao Ministério da advertência. E aguardo novo post para análise de sistema.

  4. Fala véi!

    É a sua cara!

    Uma crítica social, com foco na vida da periferia, de modo poético e com uma linguagem bastante escorregadia, cheia de curvas e desvios. Os mais desatentos podem escorregar e cair de cara.

    Abraços!

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